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A briga entre os herdeiros de Roberto Marinho e Edir Macedo envolve muito mais do que preceitos éticos, religiosos ou a busca pela verdade. Os dois grupos parecem ter razão quando exibem nas programações das Organizações Globo e da Rede Record reportagens e textos carregados uns contra os outros.
Vale tudo na disputa do mercado da mídia no Brasil. A Globo de fato tem tido dificuldades em manter o patamar médio de 60% de audiência dos áureos tempos da ditadura militar. A Record é a emissora de TV que mais cresce, contratando artistas, jornalistas e apresentadores, muitos dispensados pela Globo.
A audiência é a chave que abre as portas da publicidade, dos investimentos de grandes anunciantes, como cadeias de eletrodomésticos, hipermercados, cervejas, material esportivo, etc. O próprio Governo analisa o ibope das emissoras quando distribui sua propaganda institucional.
O que espanta neste tiroteio entre Record e Globo não é propriamente o tom das matérias, mas a completa ausência do poder público no debate. É o Ministério das Comunicações o órgão cuja missão é controlar o sistema de comunicações de Rádio e TV, mas até agora o ministro Hélio Costa (PMDB/MG) não deu um pio sobre o que se joga no ventilador.
Ora, como poder concedente, o Governo, neste caso representado pelo Ministério das Comunicações, deveria ser o maior interessado em que as denúncias feitas pelas duas emissoras fossem rigorosamente investigadas. Elas envolvem favorecimento ilícito, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, etc. E então, Hélio Costa? Vai ficar o dito pelo não dito?