Golpistas suspenderam o toque de recolher e expulsaram jornalistas venezuelanos da Telesur e VTV
BRASIL DE FATO
13/07/2009
da Redação
Nesta segunda-feira (13)
continuam os protestos em Tegucigalpa, capital de Honduras, contra o
golpe de Estado que depôs o presidente constitucional Manuel Zelaya no
último dia 28 de junho.
Três semanas após o golpe, o
povo hondurenho se mantém nas ruas pedindo a saída de Roberto
Micheletti, que assumiu a presidência após o golpe, e o retorno de
Zelaya, que nesta segunda permanece em Managua, Nicarágua.
Para esta terça-feira (14)
está prevista uma reunião entre as centrais sindicais, campesinas,
estudantis, juvenis, de direitos humanos e ambientalistas hondurenhas
para se criar uma agenda da semana e as estratégias que servirão para
ampliar a resistência no país centroamericano.
Negociação
Nas negociações entre o
governo golpista e o presidente constitucional hondurenho, iniciadas na
semana passada com a intermediação do presidente da Costa Rica, Oscar
Arias, não se chegou a um acordo. Em dois dias de discussões em San
Jorge, capital costa-riquenha, ficou decidido apenas que o diálogo
continuará em outra data.
Arias esteve reunido com o
presidente deposto, Manuel Zelaya, e com o líder do governo golpista,
Roberto Micheletti. Eles tiveram conversas particulares com o
presidente costa-riquenho, que reuniu-se também com as delegações dos
dois lados.
Neste domingo (13),
Michelleti disse que vê nas eleições presidenciais a saída para o
impasse e também uma forma de escapar de uma condenação internacional
pelo golpe de Estado.
O governo golpista ofereceu anistia a Zelaya, mas ele afirmou que retornará a Honduras como presidente.
De acordo com um
pronunciamento do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o presidente
deposto poderia retornar a qualquer momento para Honduras.
Chávez disse que os
militares golpistas não têm o controle absoluto das Forças Armadas e
que não estranharia se aparecessem pronunciamentos de oficiais a favor
de Zelaya. Para ele, a presença de Zelaya em Honduras poderia causar um
movimento cívico militar, que teria o objetivo de criar uma base de
ação para recuperar o poder.
Toque de recolher
O toque de recolher imposto
pelos golpistas desde o dia 28 de junho, que vigorava das 23h às 4h
local, foi suspenso neste domingo.
Segundo o governo de
Micheletti, a suspensão se deu por ter-se “alcançado os objetivos de
devolver a calma à população" após o golpe.
No entanto, organizações
populares alegaram que esta decisão foi tomada para “dar a entender ao
mundo que há um ambiente de liberdade no país” e alertaram que “a
repressão dos golpistas continua”.
Censura
De acordo com um informe da
Comissão Investigadora de Atentados a Jornalistas, da Federação
Latinoamericana de Jornalistas, muitos jornalistas foram perseguidos,
detidos, ameaçados e expulsos de Honduras desde o golpe de Estado.
O último episódio da censura
no país, conforme a organização, foi a detenção e expulsão de
jornalistas venezuelanos das equipes da Telesur e da estatal
Venezuelana de Televisão (VTV), no sábado (11). As duas emissoras
venezuelanas foram as únicas que mantiveram transmissão integral de
Honduras desde o golpe.
O ato foi condenado pela
Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão
Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), pelo presidente venezuelano,
Hugo Chávez e por jornalistas hondurenhos.