JORNADA DE LUTAS DE 13 A 16 DE OUTUBRO
A jornada do Fórum Estadual de Reforma Agrária e Justiça no Campo de Goiás é vitoriosa e reforça a unidade dos movimentos populares

 
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Terminou a Jornada de Lutas do Fórum Estadual de Reforma Agrária e Justiça no Campo de Goiás. Participaram da jornada praticamente todos os movimentos do estado que, durante quatro dias fizeram várias ações, dentre elas a ocupação do INCRA, da Seagro e sa Semarh.

Por Secretaria de Comunicação - Terra Livre - GO

       Na manhã do dia 16/10, os companheiros acampados no INCRA-GO receberam a visita de um oficial de justiça, acompanhado pela polícia federal e com uma liminar de reintegração de posse. Ainda assim a coordenação do Fórum decidiu continuar com a ocupação até que todas as negociações, de todos os movimentos, fossem concluídas.

       Às 15 horas foi realizado o Ato em Defesa da Boa Alimentação e Contra as Transnacionais. Este ato fazia parte de uma mobilização que estava acontecendo por todo o Brasil e algumas partes do mundo. Mas aqui em Goiás a pauta principal foi a defesa da reforma agrária, que esta sob forte ataque da bancada ruralista no congresso nacional,  setores da velha direita, além do PIG (Partido da Imprensa Golpista).  Estiveram presentes no ato 16 entidades que vieram trazer sua solidariedade aos  movimentos.

Ataques contra a luta pela Reforma Agrária
  
       Desde a jornada de agosto, quando o Governo Lula se comprometeu com os movimentos sociais em alterar os Índices de Produtividade, a questão agrária tem sido alvo de grandes ataques. Mesmo com a divulgação do Censo Agro 2006 divulgado pelo IBGE que mostrou que a concentração de terras aumentou no Brasil, inclusive no Governo Lula, e dizendo que a agricultura familiar e camponesa produz mais de 70% dos alimentos que são consumidos no país. O ataque da bancada ruralista é para que não seja assinada a portaria que altera os índices de produtividade.

       A tentativa de abrir no Congresso Nacional uma CPI para investigar o MST é uma tentativa de criminalizar os movimentos sociais. O MST no estado de São Paulo ocupou uma fazenda grilada por uma multinacional, numa ação para denunciar a grilagem, onde derrubaram  cerca de sete mil pés de laranja. Este fato foi deturpado pela bancada ruralista, pela imprensa e até mesmo pelo governo federal, numa ofensiva midiática contra o MST. A tentativa de abrir uma CPI contra o MST ganhou combustível, que na verdade é uma CPI contra todo movimento que luta pela reforma agrária.

       Por fim, durante essa semana foi divulgada uma pesquisa feita pelo IBOPE, encomendada pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura) da qual a Senadora Kátia Abreu (DEM-TO) é a presidente,  com cerca de mil famílias assentadas de todo país, que chegou à conclusão de que quase 40% delas nada produz. Para chegarem a essa conclusão entrevistaram apenas mil assentados. Como porta voz dessa pesquisa, a brilhante Senadora motosserra Kátia Abreu, que para a pesquisa escolheu assentamentos a dedo, disse que a reforma agrária da forma que está sendo feita no país não resolve o problema de ninguém.

       Em primeiro lugar, não se pode ter como referência da agricultura familiar e camponesa uma pesquisa feita com uma pequena minoria de assentados, apenas mil famílias. Só no estado de Goiás cerca de 12,5 mil famílias assentadas. Na verdade esta pesquisa manipulada tem como objetivo contrapor o senso agropecuário do IBGE, que foi divulgado recentemente.

       Soma-se a todo este contexto a morosidade do INCRA, a falta de agilidade na obtenção de terras, a vagareza na liberação das licenças ambientais por parte da SEMARH-GO (Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos), a falta de assistência técnica, e a novela da alteração dos índices de produtividade. Tudo isso fez com que todos os movimentos de luta pela terra do estado de Goiás em unidade, se mobilizassem em torno de uma só agenda, de uma só luta.

A Mobilização

       No ato estavam presentes cerca de 16 entidades que defendem a reforma agrária e justiça no campo, além dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais. Todos falaram em defesa da reforma agrária, parabenizando pela unidade do fórum, conclamando a unidade entre campo e cidade, ressaltando a luta é comum a todos e reconhecendo o protagonismo dos movimentos populares que têm conseguido dizer não à essa sociedade, à esse sistema, e à velha direita que pensa que manda neste país. No final foi feito pelo fórum uma avaliação da jornada, das conquistas e da necessidade de se preparar para novas ações. No final o superintendente do INCRA voltou atrás e mandou suspender a ordem de desocupação, claro que graças à pressão dos movimentos sociais .

Abraço simbólico no INCRA-GO

       Após o ato, todos os movimentos sairiam juntos, com todos trabalhadores de mãos dadas, dando um abraço simbólico no INCRA representando a unidade de todos os movimentos, e para dizer que aquele órgão nos pertence, e que voltaríamos ali quantas vezes for necessário.

       Durante toda a semana as ações do fórum foram notícia nos meios de comunicação do estado. Mais uma vez, à força, conseguimos colocar a questão da reforma agrária em pauta, e provocamos a discussão na sociedade.

       Já era quase 19 horas quando todos os companheiros desocuparam o INCRA e partiram para suas bases, para suas cidades, mas já preparados para as possíveis e próximas lutas. Além das negociações econômicas, houve uma vitória política: saímos com uma audiência pré-agendada com ministros do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), da Articulação Política, e da Secretaria da Presidência da República.


SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO DO TERRA LIVRE
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