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Solidariedade sim, ocupação militar não
 
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Por Conlutas: www.conlutas.org.br

A campanha de solidariedade ao povo haitiano deve ser combinada com a luta contra a ocupação militar

O sentimento internacional de solidariedade ao povo haitiano em função da tragédia do terremoto é muito grande. As dezenas de milhares de mortos, o sofrimento e precariedade completa das condições de sobrevivência mostradas nas cenas da grande imprensa comoveram a todos. No Brasil, foi formada a Frente Nacional de Solidariedade ao povo Haitiano pela Conlutas, Jubileu Sul, MST e várias outras organizações. O conteúdo de nossa campanha será diferente dos organismos oficiais internacionais e dos governos que procuram falar em ajuda humanitária enquanto aprofundam uma lógica de ocupação militar negando o direito à autodeterminação do povo haitiano.

Uma catástrofe natural multiplicada pela exploração e opressão imperialista

Toda catástrofe natural tem consequências para um povo. As proporções que ganharam no Haiti só podem ser explicadas pela miséria e precariedade que vive esse povo, que tem uma linda história de luta e resistência pela liberdade e contra a dominação colonial imperialista.

A miséria e condições sub-humanas em que vive o povo haitiano é resultado do boicote, punição e exploração impostas pelos países colonialistas ao único povo negro que fez uma revolução de escravos vitoriosa. Essa ousadia significou a imposição de uma pesada multa que compensasse o Império Francês “pelos prejuízos” da independência.

Ao longo do século XX, os EUA e demais potencias imperialistas patrocinam ditaduras e golpes militares e promovem a ocupação militar do país.
Minustah – Força de estabilização ou ocupação militar?

Argumento de estabilização representa farsa para manter a exploração e os interesses do imperialismo no Haiti.
Em 2004, mais uma ocupação militar. Desta vez com a inovação vergonhosa para o povo brasileiro. O governo Lula aceitou, a mando de Bush, coordenar militarmente as forças da Minustah. Sempre com o argumento da ajuda e estabilização. No fundo a lógica dos interesses do grande capital. Poder montar maquiladoras, principalmente da indústria têxtil  com a Minustah “garantindo a estabilidade” para produzir com os piores salários e condições de trabalho do continente.

Depois de seis anos de ocupação, a tragédia do terremoto desnuda o discurso da presença para ajudar e melhorar as condições do país. É patético o papel das tropas que não conseguem nem mesmo garantir a distribuição de alimentos e atendimentos às vitimas.
Os governos e organismos internacionais falam em liberar no total cerca de U$ 300 milhões de dólares, quando a ONU para manter as tropas nos últimos seis anos já gastou cerca de U$ 3,5 bilhões.  A mídia capitalista alardeia a liberação desses recursos – que nunca chegam ao povo desesperado -  mas que não passam de ninharias frente aos trilhões de dólares doados aos banqueiros e empresários de multinacionais para enfrentar a crise econômica capitalista.

Contra o aumento das tropas e a presença militar dos EUA no Haiti

Em defesa do direito a autodeterminação do povo haitiano.

A solidariedade com o povo haitiano hoje, passa também pelo debate direto do respeito a esse povo e seu direito a autodeterminação. É preciso denunciar e combater a ocupação militar no Haiti.

As tropas da Minustah, com brasileiros à frente, participaram de repressão e assassinatos em Cité Soleil. Denuncias foram feitas de violência sexual contra mulheres, proteção das indústrias da zona franca e repressão a todas as mobilizações dos movimentos sociais haitianos. O maior exemplo foi a repressão desencadeando em morte, na greve e mobilização promovida pelos trabalhadores das maquiladoras e estudantes em agosto de 2009 pelo aumento do salário mínimo.

Agora, a reação do imperialismo norte americano ante a catástrofe e os riscos de desestabilização social da região e as possibilidades dos grandes negócios que serão gerados pela “reconstrução” do Haiti, determinaram o envio de 13.000 soldados comandados pelos marines.  Isso reforça mais ainda o controle e a repressão aos movimentos.
A solidariedade que defendemos se dá nos marcos de nossa classe e na  completa autonomia e independência do povo haitiano para decidir quais suas prioridades e como reconstruir seu país.

Campanha de solidariedade de classe ao povo haitiano

Doações dos trabalhadores e suas organizações em todo o mundo para os trabalhadores e suas organizações no Haiti.

A Frente Nacional de Solidariedade ao Povo Haitiano se lança em uma ampla campanha de arrecadação de fundos de solidariedade para serem destinados as nossas organizações irmãs no Haiti.
Cada centavo dessa campanha será destinado ao movimento social do Haiti e estaremos prestando contas. Por isso a Conlutas abriu uma conta especifica para a Campanha de doações que facilite o controle e divulgação de extratos e prestação de contas.

Todo o recurso que nós da Conlutas arrecadarmos, será entregue aos companheiros de Batay Ouvrie (Luta Operária), uma das principais organizações, sindical e popular do Haiti e a mais consequente na luta contra a ocupação militar imperialista e o governo fantoche de Prevel.

Dados da conta para depósito:

Favorecido: Coordenação Haiti
Banco do Brasil
Agência 4223-4
Conta 8844-7

Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas)