| de 2009 | |
Texto
sobre educação que queremos para o movimento
Por Vagner Moura (SP)*
Embora
haja centenas de explicações para o mau desempenho na rede de ensino, e
outras
centenas para soluções, as escolas de modo geral, cumpre bem o seu
papel, pelo
menos pela qual foi criado. Todavia,
a concepção de educação que é defendida, produzida e reproduzida pelos
governos
neoliberais, é uma concepção de que o conhecimento deve ser canalizado
para o
feroz mercado de trabalho, e pior, tornando a própria educação em
mercadoria. O
conhecimento popular, aquele que se aprende vivendo, trabalhando e
lutando pelos
seus direitos (inclusive dentro dos espaços de trabalho, que subverte a
lógica do
bom trabalhador submisso), é desvalorizado, pois educado é aquele que
aperta parafusos,
sorri para todos e não questiona sua condição de explorado. Os
discursos e as práticas da educação popular devem ser orientadas com
vistas à
construção dos valores defendidos por Paulo Freire ao longo de sua obra:
▪
A valorização do diálogo como fundamento da convivência e do processo
educativo; Partindo
desses princípios, devemos propor uma prática educativo-política para a
vida, para
transformar ao invés de adequar, com distinção de classes, rompendo com
o
voluntarismo e os discursos de neutralidade na educação
institucionalizada. Em
Mészáros (A educação para além do capital - Istvan Mészáros/ Boitempo),
educar
não é a mera transferência de conhecimento, mas sim a conscientização e
testemunho
de vida. É construir, libertar o ser humano da cadeia do determinismo
neoliberal, reconhecendo que a história é um campo aberto de
possibilidades. Sobre o pantanal e as
experiências com
as cirandas nessa comunidade A
falta de políticas públicas (Saneamento, Posto de saúde, Área de lazer,
etc..)
nessas áreas, impõe um improviso de vida para seus moradores. Esta
situação é
agravada com a possibilidade da derrubada de suas casas, no caso das
APPS. Em
uma das cirandas realizada durante uma assembléia do movimento, as
crianças
ilustraram em seus desenhos a assembléia e seus pais participando,
indicando,
mesmo sem saber muito, que estão ali por conseqüência de seus pais
estarem. A
partir daí, é importante discutir com as crianças, de forma
ilustrativa, a
importância de seus pais estarem lá.
Defendemos
que um educador popular deve construir novos espaços de educação e
disputar ideologicamente
os espaços existentes, tendo em vista que esse processo é parte da
construção
de uma nova sociedade, a Sociedade Socialista. O
educador que trabalha freqüente e programaticamente com as cirandas
devem estar
também próximo aos pais/cuidadores destas crianças. É também necessário
participar dos fóruns e conhecer a comunidade onde o trabalho é
realizado, pois
estes espaços são também espaços educativos.
A
construção dos valores da criança não se restringe à família ou rede
social,
mas relaciona-se com todos os espaços que ela freqüenta em seu
cotidiano e com
o que lhe é passado através dos meios de comunicação.
Considerando
o papel das instituições e dos meios de comunicação na construção dos
valores,
todos os núcleos de informação e entidades (Principalmente as
educacionais)
devem ser discutidas e criticadas dialeticamente, já que não são
neutros de
valores.
Contudo,
levando em consideração a importância da família, o educador deve
estabelecer
diálogos constante com os pais sobre a contribuição de cada espaço na
educação
de seus filhos, que são nossas crianças.
Criaremos
uma educação que rompa com os laços da alienação, e construir a
emancipação!
* Vagner Moura é membro do Coletivo de Educação Popular do Terra Livre
São Paulo
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