| de 2009 | |
Nos dirigimos aos trabalhadores, trabalhadoras, jovens, idosos, homens e mulheres do campo e da cidade, brasileiros que todos os dias doam seu suor para garantir o pão de seus filhos. Acreditamos que chegou a hora de juntos assumirmos o papel de atores principais em nosso País.
Ao
longo dos séculos um a um os governos das classes dominantes têm
dilapidado as riquezas, explorando o povo, destruindo a beleza e impedindo
uma vida digna às gerações que se sucedem.
De
Norte a Sul sangra o nosso País, na miséria dos sem-terra e do
assalariado
do campo, na escravidão que ainda persiste, na prostituição de
adolescentes e das mães solteiras.
Sangra
o Brasil das favelas e das periferias, maltratadas pela opressão
do tráfico varejista de drogas e do Estado, representado pela violência
policial. Sofre o Brasil dos idosos, que recebem benefícios miseráveis
e ainda enfrentam o descaso das filas dos hospitais.
Nas
últimas décadas as vozes mais influentes das elites insistiram e
impuseram
uma ditadura do privado sobre o público, através de uma intensa
campanha de mídia.
Disseram
que o País cresceria com as privatizações, que todos ganhariam,
que os preços cairiam e a qualidade dos serviços públicos
Não
apresentaram nenhum projeto capaz de melhorar a vida do povo. Nossas
cidades se transformaram em gigantescas favelas, sem infraestrutura e
sem condições de abrigar milhões de pessoas que se concentram
em suas periferias.
Todos
os anos bilhões de reais são carreados do Orçamento do País para
pagar juros e amortizações da dívida pública externa e interna.
Bancos
privados acumulam mais lucros que todos os demais setores da
economia juntos, contando com o beneplácito da política monetária, que
determina juros altos e ainda socorre os banqueiros, como aconteceu
com o Proer de Fernando Henrique e agora no governo Lula.
Verdadeiras
máfias com tentáculos nos poderes Executivo, Legislativo e
Judiciário lavam suas fortunas, arrancadas do dinheiro desviado dos
cofres
públicos. Quadrilheiros de todo tipo carreiam essa riqueza para fora
do País. Quando são presos não permanecem mais do que dias no
cárcere, enquanto jovens atirados aos braços do tráfico varejista de
drogas
só encontram a morte nas mãos da polícia e a barbárie das
penitenciárias.
Banqueiros,
grandes empresários, grandes comerciantes, latifundiários
do agro-negócio, tecnocratas e executivos constituem uma
O
tráfico de drogas e de armas, bem como a jogatina de caça-níqueis, o
contrabando e outros tipos de jogos de azar baseados em apostas também
são práticas que crescem, explorando o vício e servindo para que
grupos mafiosos obtenham lucros.
Depois
de vinte anos de ditadura militar, que representaram repressão e
obscurantismo, a velha elite brasileira . aliada de grupos econômicos
estrangeiros
. montou a democracia da mentira. O brasileiro só tem o direito
a votar, mas os eleitos têm o direito de se locupletar de privilégios,
de
humilhar e espezinhar o povo.
As
grandes obras que anunciam visam apenas dois objetivos: servir de
palanque eleitoral para candidatos financiados pelos que vão ganhar
rios
de dinheiro com essas mesmas obras e enriquecer ainda mais os sócios
do poder.
Nossa
Amazônia está entregue à cobiça de contrabandistas de madeira,
exportadores de carne, de soja e ongueiros de todo tipo,
Apesar
disso, todos os dias o sol brilha sobre nossa terra, trazendo um
sopro de vida e esperança que ilumina os rostos de nossa gente. Apesar
disso, a água brota de nossas fontes para renovar nossos rios. Apesar
disso, as praias de nosso vasto litoral continuam trazendo um enorme
tesouro ainda inexplorado.
Acreditamos
que existe uma saída para por fim a esses desmandos que
nos enchem de vergonha.Asaída está justamente no povo brasileiro tomar
para si a missão de colocar o País a seu serviço, a serviço da maioria.
Cabe ao povo brasileiro, o único setor da sociedade que nunca deteve
o poder, assumir definitivamente o seu destino.
Nossa
terra foi o palco da resistência dos povos contra o Império português
e toda forma de opressão, como a luta dos Povos das
Dessa
mesma terra pode e deve brotar um novo movimento, mais uma
ferramenta para que, em uma só voz, os pobres do campo e da cidade
possam construir uma nova sociedade, justa e igualitária, capaz de
dar dignidade ao nosso povo.
Por
isso, estamos lançando uma semente, que aqui batizamos de TERRA
LIVRE.
Para
germinar, criar raízes sólidas, florescer altiva e dar bons frutos ela
precisa ser regada cotidianamente com os princípios e valores
fundamentais
da humanidade: o coletivo acima do individual, a solidariedade
em oposição ao egoísmo, a igualdade contra os privilégios, a
verdade contra a mentira, a democracia contra o autoritarismo, o
conhecimento
contra a ignorância, a arte contra o obscurantismo, a cultura
para aplacar o atraso.
Precisamos
de uma organização que coloque os seus integrantes e sua
base social como sujeito de sua construção. A sua direção será
comandada
pelos trabalhadores organizados, politizados e com pensamento
crítico e não poderá nunca ser personificada em cima de indivíduos,
por mais importantes que eles sejam. Não aceitaremos o mandonismo,
o sectarismo e receitas prontas para impor supostas verdades:
acreditamos que a libertação de nosso povo será uma obra construída
cotidianamente.
Superar
a separação entre os que pensam projetos e os que executam tarefas
é uma meta que perseguiremos, a partir de um trabalho perseverante
e permanente nas frentes de mobilização. Esse esforço também
deve estar voltado para combater e enfrentar o machismo, a homofobia,
o racismo e outras manifestações segregacionistas que se encontram
arraigados em nossa sociedade.
A
política correta, a produção econômica mais forte e estável ou as
conquistas
de nosso movimento dependem da criatividade de nosso povo,
das relações em rede e horizontais, da democracia direta. Estimularemos
em todas as frentes de ação uma educação libertadora que
constrói e democratiza o conhecimento na prática do dia-a-dia.
Nosso
movimento lutará por terra, moradia, lazer, trabalho livre e tudo
a que nos pertence e é apropriado pelo capital. Mas não faremos isso
como moeda de troca ou para lançar candidaturas, nem o faremos para
defender governos ou conseguir presentes desses, prática comum daqueles
que preferem continuar vivendo ajoelhados.
O
governo do .presidente operário. mostra a cada dia que, se dá algumas
migalhas aos movimentos que organizam os trabalhadores,
Lutamos
porque necessitamos sobreviver, porque os patrões continuarão
arrancando nosso pão e precisamos conquistar a nossa liberdade.
Lutaremos para colocar a produção na mão e nas mentes dos
trabalhadores. A produção de alimentos da terra comum, de produtos
das fábricas ocupadas, de cultura popular e da consciência da
necessidade de transformar completamente o mundo.
Um
novo mundo é necessário para a própria existência futura da humanidade.
Assim,
apresentamos alguns objetivos que julgamos importantes para balizar
as ações deste novo Movimento:
Como
brasileiros, trabalhadores, intelectuais, estudantes, sem-terra,
sem-teto,
nos reconhecemos como filhos da nossa América. Compartilhamos
com nossos irmãos latino-americanos o mesmo chão, a
mesma história, as mesmas dores, as mesmas lutas e as mesmas
esperanças.
A eles sempre prestaremos nossa solidariedade ativa, assim
como aos povos oprimidos pelo tacão do Imperialismo e da opressão
em qualquer parte do mundo.
O
povo é o maior patrimônio da nação e, como tal, deverá ser respeitado
em sua vontade soberana. Violência, tortura e assassinato são
crimes que atentam contra a humanidade e não serão admitidos em
hipótese alguma. A pena de morte ou a execução sumária não serão
toleradas.
Crianças,
idosos e deficientes terão sempre tratamento especial, respeitando
a experiência e as contribuições dos mais velhos, postando num
futuro digno para as novas gerações e integrando os que sofrem com
as limitações que lhes foram impostas pela natureza.
O
Poder Popular será construído a partir da vontade soberana do povo,
de suas organizações democráticas nos bairros, favelas, vilas, ruas,
escolas, repartições públicas e conjuntos residenciais, nos quais
deverão
prevalecer os interesses da maioria.
A
Terra não tem donos, pertence ao seu povo para cultivá-la em forma
coletiva e nome de todos. É assim que compreendemos a Reforma
Agrária em nosso país. O uso da Terra será destinado prioritariamente
ao plantio de alimentos voltados para a mesa da população.
O
Brasil precisa de um verdadeiro projeto de Reforma Agrária, ampla e
massiva, com assistência técnica permanente e universal,
desburocratização
da legislação agrária, rito sumário para julgar os processos,
com limite da propriedade, o fim do latifúndio e do agronegócio.
A
ação direta das massas não se resume em si mesma, podendo e devendo
redundar na construção de experiências de sobrevivência econômica
de uma comunidade, através de formas de gestão coletiva de
produção, em sistema de cooperativas na cidade e no campo. As
experiências
de reciclagem de papel/papelão, alumínio e plástico, bem como
a formação de cooperativas de transportes, são demonstrações dessa
possibilidade e devem ser estendidas à produção de bens de primeira
necessidade.
Como
forma de aferir a vontade do povo sempre estimularemos a realização
de plebiscitos e consultas populares, instrumentos de debate e
de consolidação do poder popular.
A
Educação e a Saúde são bens indispensáveis, portanto, devem ser
exclusivamente públicos e de qualidade.
O
acesso à cultura é um direito de todos, sem o qual não se pode
construir
o futuro. Daí porque os meios de produção cultural e de comunicação
não podem pertencer a grupos privados, mas ao povo que
trabalha e produz, sendo dirigidos para expressar as inúmeras e ricas
manifestações culturais em todo o território nacional.
Os
meios de comunicação devem funcionar de forma independente, sem
censura do Estado ou a subordinação ao interesse econômico de grupos
privados, levando a informação e provocando o debate livre e aberto,
sempre apresentando os fatos e suas diferentes versões.
As
florestas e todos os recursos naturais são patrimônios do povo e todos
que as destruam deverão ser denunciados e combatidos com rigor.As
riquezas do subsolo, dos rios e das águas litorâneas
pertencem exclusivamente
ao povo brasileiro.
Para
se popularizarem e se tornarem instrumentos da maioria, as modernas
tecnologias não poderão aceitar imposições e limites determinados
por interesses de grupos privados, que se apoderam de idéias,
projetos e técnicas para patenteá-las e obter lucros.
As
empresas estatais e os órgãos públicos deverão ser dirigidos
exclusivamente
por seus servidores concursados, aos quais caberá planejar
metas e eleger dirigentes, sempre em consonância e com a participação
dos setores da população usuária de seus serviços.
O
transporte de massa (trens, metrô, barcas) é a base do planejamento
das cidades e caberá ao Estado. Os transportes alternativos
serão organizados em sistema de cooperativas de pequenos proprietários,
sendo vedada a exploração de outros para o seu funcionamento.
A
habitação popular deverá ser desenvolvida com base em mutirões e
a supervisão de técnicos, utilizando-se de crédito do Estado e
materiais de
fácil produção e manuseio. Todos os imóveis fechados ou usados somente
para fins de especulação serão encampados pelo Estado e cedidos
para a realização da Reforma Urbana.
As
práticas esportivas e o acesso ao lazer são direitos de todos e devem
ser incentivadas a partir das escolas, centros esportivos e praças
públicas,
menos como um espírito competitivo, visando ao desenvolvimento
das capacidades físicas e mentais, com a preocupação de
integrar o indivíduo ao coletivo e a construção de relações solidárias.
Os
recursos públicos arrecadados em forma de impostos são determinantes
para o progresso. O uso de cada centavo deverá ser objeto
de debate público e de transparência, para que todo e qualquer cidadão
decida e saiba de sua destinação.
Cabe
às Forças Armadas o papel de defender a nação e as fronteiras de
qualquer ameaça ou agressão externa. As FFAA estarão sempre
subordinadas
à vontade popular e seus membros estarão submetidos às
leis e tribunais que regem todo cidadão brasileiro.
As
forças de segurança serão compostas exclusivamente de servidores
civis e basearão suas ações em investigações técnicas e de
inteligência, sempre subordinadas ao poder popular.
O
desvio de verbas e o vício em licitações públicas são crimes hediondos.
Os responsáveis (corruptos e corruptores) terão que cumprir a
pena cabível e ressarcir os cofres públicos no caso dessas práticas.
Lutaremos
por uma nova sociedade, onde não haja exploração, miséria
ou guerras. Em que a humanidade viva em cooperação e solidariedade
global, um mundo possível enquanto os trabalhadores entirem
no seu sangue a vontade de viver livre.
Com
base nesses princípios anunciamos a criação de um novo Movimento
político e social, que se somará a todos os demais que se proponham
a enfrentar a desigualdade, a injustiça e a opressão. Um Movimento
que desenvolverá suas ações organizando os trabalhadores, a
juventude e os excluídos do campo e da cidade.
A
busca por esses e outros objetivos de interesse geral de nosso povo
serão alvos de nossa luta cotidiana, construída com base na organização
popular, na qual, acreditamos, o povo brasileiro será o protagonista. Belo
Horizonte, 30 de novembro de 2008. |
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